quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Visita à escola de ensino fundamental Luolaja

No dia 13/11, visitamos, Alexandre, Carlos e eu, a escola de ensino fundamental Luolaja (Luolajan koulu), em Hämeenlinna. Meu interesse principal, após ter visitado Seminaarin koulu, era verificar o funcionamento de uma escola pequena. Enquanto Seminaarin koulu tem em torno de 700 alunos, e é considerada uma escola grande, Luolaja atende 127 crianças. (Observação: por questões de privacidade, não são mostrados os rostos das crianças nas fotos.)
São 6 turmas, do 1º ao 6º ano, distribuídas em duas edificações. Uma, de madeira, dos anos de 1920 e outra, de alvenaria, de 1952.


Tivemos total liberdade para conhecer a rotina de aulas e interagir com os alunos. Agradeço ao diretor e aos professores pela atenção e à HAMK PTEU por ter viabilizado esse encontro.

Pré-escola

Além da escola fundamental, também há uma turma de pré-escola. São 19 alunos, atendidos das 8h30 às 12h30. Após esse horário, eles podem ficar até às 16 ou 17 h na escola, mas sem "aulas". O objetivo da pré-escola é promover o desenvolvimento da criança, introduzindo letras, números, trabalhos manuais, desenhos e palavras básicas em inglês.
O grupo é normalmente dividido em dois e se alternam em dois ambientes. Um dos grupos faz atividades na kota e na floresta, enquanto o outro fica em uma sala de aula em um dos prédios. Conhecemos os dois locais.


Um dos grupos da pré-escola
Segundo grupo da pré-escola estava na kota (chalé típico finlandês)
Um lugar muito aconchegante



Achei interessante que, mesmo na pré-escola, a professora aproveitou nossa visita para que os alunos conhecessem algumas palavras em português. Ensinamos "oi", "obrigado" e "de nada". Na pré-escola, o número máximo de alunos é 22, havendo uma professora e auxiliar para cada grupo.
Uma observação relevante para o nosso contexto brasileiro: a filha do diretor estuda nessa turma. E mais uma: os sistemas de ensino fundamental e pré-escolar são administrados de forma separada, mas compartilham recursos e espaços. Uma das professoras, que não é finlandesa nativa, comentou que admira muito os finlandeses por sua capacidade de negociação e de encontrar soluções inteligentes que atendam o interesse de todos, para o bem de todos.

Aula de inglês

Acompanhamos a turma do 3º ano, com 20 alunos em torno de 9 anos de idade. A professora explicou que vínhamos do Brasil, conversou com eles sobre alguns fatos do país e abriu espaço para que os alunos fizessem perguntas para nós. Depois também fizemos as nossas, e uma delas foi se gostavam da escola. Três meninos disseram que não, que era chato, e fomos conversando. Depois da aula, comentamos com a professora sobre isso e ela disse que é algo que vai sendo trabalhado de forma gradual, dependendo do grau de amadurecimento de cada aluno. A professora, a equipe auxiliar e o diretor fazem esse acompanhamento junto com os pais.
Nesse dia, as crianças iriam realizar seu primeiro teste de inglês. As aulas de inglês iniciam no 3º ano, havendo 2 por semana. Neste primeiro teste, a professora explicou os objetivos da avaliação, leu toda a prova com os alunos e realizou a parte de listening reproduzindo uma gravação, primeiro sem pausas, e depois com pausas para que os alunos anotassem suas respostas.
Sala de inglês e alemão
Professora explicando a avaliação

Aula de música

Acompanhamos uma aula de música da turma do 5º ano, com 20 alunos. As crianças aprendem a ler partitura, cantar e tocar flauta. Fizeram uma pequena apresentação para nós.
Conhecendo os símbolos de partituras


Livro didático de música

Aula do 1º ano

Acompanhamos uma aula de ciências do 1º ano. Estavam aprendendo sobre as partes do corpo. Foi uma aula bem interativa.
A professora pergunta: Depois que a comida passa pelo estômago, vai para onde? Resposta de uma criança: Para o banheiro. :-)
Também descobrimos que todas as crianças dessa turma conseguem enrolar a língua. Eu não consigo.


Um dos alunos foi o modelo, mostrando as partes do corpo
 Em nenhuma observação de aula que já fizemos as crianças falam sem levantar a mão. A professora tem controle sobre o andamento da aula, sem ser autoritária, e consegue fazer com que quase todos participem. Ao final da aula, questionamos sobre uma criança que parecia não se manifestar. A professora disse que era uma ótima aluna, com excelente domínio da língua finlandesa, mas tímida, e que, como professora, deixa a criança se sentir segura para participar, sem forçá-la.
Levantar a mão antes de falar

Anotando as partes do corpo no caderno


Ao final da aula, sala organizada pelos alunos

Organização curricular

São 19 aulas de 45 minutos por semana no 1º e 2º anos. A partir do 3º, com a introdução de 2 aulas de inglês e mais algumas alterações, passa-se para 23 aulas por semana. Se o aluno optar ainda pela língua alemã, a partir do 4º ano, fica com 25 aulas, como mostra a tabela seguinte.
Os currículos nacionais estão disponíveis, em inglês, no site do Conselho Nacional de Educação.

Avaliação

Até o 4º ano não há notas. O professor faz um relatório e discute com os pais. Na reunião de atendimento individual aos pais, a professora comentou que se não há algum tema delicado a tratar, a criança participa inteiramente da reunião junto com seus pais e também assina o relatório. A partir do 5º ano, são atribuídas notas numéricas, de 4 a 10.

Corpo docente

Nesta escola, são 6 professores mais 2 em tempo parcial (a professora de inglês está lá 3 dias por semana, a de necessidades especiais, 2 dias e meio).
O diretor, além das atividades de administração, ministra 18 aulas por semana, na turma do 5º ano, e mais algumas aulas de informática em uma outra escola.
O psicólogo, assistente social e médico são volantes, atendem várias escolas do município.

Aula de educação religiosa

A mesma professora do 1º ano também ministra aula de educação religiosa para o 6º ano. Com a nossa presença, organizou um bate-papo bem interativo em que os alunos fizeram perguntas para nós e vice-versa.

 Clubes after-class

Há dois clubes de atividades depois da aula (after-class clubs) nesta escola. Um de inglês e outro de artesanato (crafts). São os professores que discutem a necessidade de oferecer atividades extras. Conhecemos as duas turmas.
No clube de inglês, havia 7 alunos, de 9 a 11 anos.
No clube de artesanato, havia 14 crianças, de 8 a 9 anos.

É muito emocionante ser tão bem recebido pelos professores e pelas crianças e verificar, in loco, como as escolas funcionam na Finlândia.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Custo de vida

Tenho recebido algumas perguntas sobre o custo de vida na Finlândia e vou tentar passar uma ideia geral para quem quiser vir como participante das próximas chamadas.
A Finlândia tem um dos custos de vida mais altos da Europa. É bem mais caro que Portugal ou Espanha, que eu conheço. Agora, tem coisas que são mais baratas que na minha cidade (Florianópolis) e outras, mais caras (preços em euros):
  • Suco de caixa 1 litro: 0,75
  • Coxa e sobrecoxa de frango 1 kg: 3,00 (mas na promoção sai por 1,50)
  • Carne de porco 1 kg: 5,00
  • Salmão 1 kg na promoção: 5,00
  • Queijo kg: 8,00
  • Carne de boi (bife): caríssima, nunca comprei porque custa mais de 20 euros/kg
  • Iogurte 1 litro: 1,60
  • Pêra ou maçã kg: de 1 a 3, dependendo da variedade
  • Alface unidade: 1,50
  • Pão kg: de 3 a 8 dependendo do tipo
  • Vinho 750ml: o mais barato custa 8,00 (bebidas alcoólicas tem imposto altíssimo)
  • Almoço no restaurante da universidade: 4,49
  • Lanche McDonalds (+refri+batata): em torno de 6,00
  • Aluguel de carro compacto fim de semana: 120,00
  • Passagem de ônibus para Helsinque: 17,00; se comprar 4 bilhetes, 12,00 cada um
  • Passagem de ônibus urbano: 3,00, mas nunca usei porque ando a pé e de bicicleta em Hämeenlinna
  • Piscina pública: 3,10 por sessão
  • Aluguel do quarto no alojamento em que estamos na HAMK: 370,00 individual; 220,00/pessoa se quarto para 2

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Visita à Engenharia Elétrica e de Automação

Em 10 e 11/11, visitamos, Rodrigo e eu, o curso de Engenharia Elétrica e de Automação, na HAMK Campus Valkeakoski. Valkeakoski é uma cidade de 21 mil habitantes, distante 45 km de Hämeenlinna.
Fomos muito bem recebidos pelos professores e pelo coordenador do curso. Como já usual aqui, tivemos total liberdade para conversar com os alunos. Há duas turmas anuais no curso: uma internacional, em inglês, e outra em finlandês.

O processo de seleção, para os alunos finlandeses, considera o resultado do matriculation examination e de uma prova de admissão específica.

Acompanhamos uma aula dos alunos do primeiro ano, que estavam pesquisando sobre normas técnicas, e também uma aula de projetos de alunos mais avançados. Conversamos com  alunos do Kosovo, Cazaquistão, Rússia, Etiópia, Vietnã, Iêmen e Finlândia. Também conversamos com um aluno brasileiro, que está fazendo intercâmbio.
Para os alunos internacionais, a escolha pela Finlândia deve-se à educação gratuita e de alta qualidade. A escolha por uma universidade de ciências aplicadas está relacionada ao interesse por atividades práticas e uma possível melhor colocação no mercado de trabalho.

Alunos apresentando projeto com Raspberry Pi
Alunos discutindo sobre projeto com braço robótico

O que ser percebe é que a forma de encarar o curso é diferente. Não são os professores que empurram os alunos, mas sim o interesse deve partir dos estudantes. E para o aluno que quer se aprofundar, a estrutura e o suporte são excelentes. Os alunos internacionais relataram que leva certo tempo até eles descobrirem que tem que ir além da sala de aula. Liberdade e confiança são as palavras-chave.

Salas de aula e laboratórios

Com o coordenador do curso, visitamos várias salas e laboratórios.



Em relação a CLPs, eles estudam os dois mais empregados nas indústrias finlandesas: Siemens e Beckhoff. Há vários trabalhos práticos, em que desenvolvem sistemas automatizados.







 

Projetos

Além dos laboratórios específicos, eles também tem um espaço maior, com várias bancadas e projetos. Vimos modelos miniaturas, automatizados, de estacionamento para veículos, elevador, ferrovia, rodovia. Todos usam equipamentos e sensores industriais. Tabém vimos esteiras classificadoras, um braço robótico, um sistema de controle de armazém, esses em escala industrial.













Sala de projetos para os alunos

Há também uma sala nova para desenvolvimento de projetos dos alunos (seria como o Laboratório de Protótipos do Departamento de Eletrônica do IFSC). Ainda está em processo de ocupação, mas já tem uma impressora 3D e um scanner 3D. Com esses equipamentos, os alunos desenvolvem peças personalizadas.

Espaço para desenvolvimento de projetos dos alunos

Scanner 3D

Impressora 3D

Software de modelagem para impressão 3D

Resultado da impressão 3D

Peça (verde) feita em impressora 3D
Perguntamos para um professor como foi o processo de aquisição da impressora e scanner. Ele disse que havia sido um pouco complicado, pois eram equipamentos de 1,5 mil e 2 mil euros, respectivamente. Então, perguntei quanto era o complicado. Resposta: 3 semanas entre decidir pela compra e ter os equipamentos na universidade.